Violência sexual no esporte

Relatos de violência sexual no esporte vêm se mostrando cada vez mais frequentes.

Eles evidenciam o lado sombrio de uma realidade oculta no ambiente supostamente saudável de clubes, escolinhas e academias esportivas.

Assédio sexual, abuso, homofobia e discriminação de gênero são algumas formas de violência passíveis de ocorrer nos mais diversos níveis competitivos. Seja nos esportes amadores ou profissionais, em modalidades individuais ou coletivas.

Conceitos de violência sexual

ASSÉDIO SEXUAL é considerado o constrangimento sofrido pelo atleta devido o intuito de alguém obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente de sua superioridade hierárquica.

ABUSO SEXUAL é o ato libidinoso praticado sem consentimento mútuo, seja porque a anuência não pode ser dada, ou porque é obtida de maneira agressiva, exploradora, manipuladora ou ameaçadora.

No esporte

Muitas vezes velada sob relações de hierarquia entre dirigentes, treinadores e seus atletas, a violência sexual é nefasta para a saúde mental e física.

De acordo com a Sociedade Internacional de Psiquiatria do Esporte, as consequências são impactantes no comportamento afetivo, social e em aspectos da performance esportiva (Clinical Sports Psychiatry – an international perspective, 2013).

Consequências séria para a pessoa que sofreu a violência sexual

O assédio ou abuso são altamente capazes de gerar sentimentos de vergonha, medo e culpa no atleta – em virtude do drama silencioso envolvendo as dificuldades de denunciar um evento. O desinteresse pelo esporte e desligamento da prática também é uma realidade.

Estudos indicam que 50% de crianças e adolescentes vítimas de abusos apresentam sintomas de Transtorno do Estresse Pós-Traumático, como lembranças recorrentes do trauma, pesadelos, episódios de pânico e distúrbios do sono.

Ansiedade, mudanças na personalidade, transtornos alimentares, sintomas físicos, queda da libido, uso de substâncias, depressão e até comportamento suicida são algumas das consequências relacionadas a eventos de assédio/abuso sexual.

⚠ Combater e prevenir as mais diversas formas de violência sexual no esporte deve ser prioridade de profissionais das áreas da saúde, educação e gestores esportivos.

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Dr. Helio Fádel
Psiquiatra