Tristeza, luto e depressão

Características e diferenças

É extremamente importante saber a diferenciação entre tristeza, luto e depressão.
Sabemos que tanto a tristeza quanto o luto são fatores de risco para o desenvolvimento da depressão, mas a diferenciação dessas condições é essencial para evitar más interpretações.

 

Tristeza

Momentos de tristeza, perdas, frustrações e acasos infelizes fazem parte da vida. É por meio deles que temos a oportunidade de aprender, amadurecer, reformular e elaborar novas perspectivas, e seguir adiante.
De forma bem simples, a tristeza pode ser entendida como um estado emocional mais pontual, enquanto a depressão é um conjunto de outros sintomas que tendem a perdurar, geralmente composto por apatia, angústia, inapetência, insônia, sentimentos de desesperança – além do próprio humor triste, dentre outros.

 

Luto

O luto é uma consequência da perda. Seja de um elo significativo entre pessoas amadas ou familiares, ou uma pessoa e seu objeto (que pode ser algo material ou fase da vida – p. ex., passagem da infância para adolescência, pós-parto) que lhe é importante. Como trata-se de uma perda, inerente da vida de todos, é considerado, portanto, um fenômeno mental natural. No entanto, nem todas as pessoas passam por tal processo de maneira sadia, atentando para a possibilidade de um luto patológico.

– Mas como diferenciar um quadro de luto comum de um luto patológico ou depressão?
– A pessoa não poderia abrir um quadro de depressão dentro do luto em que vive?
– Qual o tempo máximo que dura o luto?

São pontos amplamente discutidos por diversos profissionais da área da saúde mental, e em constante reformulação pelo próprio DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) da American Psychiatric Association.

Todas essas questões devem ser minuciosamente investigadas e trabalhadas pelo médico psiquiatra, com suporte psicoterápico, se necessário for, entendendo todo o contexto de vida da pessoa, uma vez que cada caso possuirá suas particularidades.
Os próprios aspectos culturais, sociais e ambientais de cada indivíduo são influenciadores na forma como essa pessoa reage a uma perda, o que reitera a importância de uma avaliação da pessoa em sua completude como ser humano.

 

Depressão x luto

Mais importante do que se apegar ao “tempo de luto” (por alguns definido como de 6 meses a 2 anos), ou à possível coexistência da depressão e luto (passível de acontecer) é se atentar para o sofrimento, limitações e prejuízos funcionais que a pessoa está enfrentando, buscando prestar a ela a melhor assistência possível e desde cedo.
Em momentos de total falta de perspectiva futura, por um ato de impulsividade, uma pessoa -esteja em luto e/ou depressão- pode cometer atos danosos para si própria (e terceiros), inclusive o suicídio.
Por isso é fundamental o estabelecimento de uma rede de apoio próxima e eficiente. Ou seja, além do suporte médico especializado em saúde mental bem acessível, ter os familiares, amigos e demais pessoas do trabalho e comunidade ao lado desse indivíduo vulnerável.

 

Dr. Helio Fádel
Psiquiatra Clínico e do Esporte