Transtorno de Insônia

Características diagnósticas da Insônia

O transtorno de insônia é o mais prevalente entre todos os transtornos do sono.

Sua característica essencial é a insatisfação com a quantidade ou qualidade do sono, além de dificuldades para inciá-lo ou mantê-lo.
Tais queixas acompanham sofrimento significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida da pessoa.

Diferentes manifestações de insônia podem ocorrer em horários distintos do período de sono.
Insônia na fase inicial do sono (insônia inicial) envolve a dificuldade em conciliar o sono na hora de dormir.
Insônia de manutenção do sono (insônia intermediária) caracteriza-se por despertares frequentes ou prolongados durante a noite.
Insônia terminal envolve o despertar antes do horário habitual e a incapacidade para retornar ao sono.

A dificuldade em manter o sono é o sintoma mais comum de insônia, seguida pela dificuldade em conciliar o sono. No entanto, é bastante comum esses dois sintomas ocorrerem de forma simultânea.

Os sintomas das dificuldades em conciliar o sono e em mantê-lo poderão ser quantificados pelos relatos retrospectivos de cada pessoa. Seja por diários de sono, ou quaisquer outros métodos. Exemplos são a actigrafia ou polissonografia, embora o diagnóstico de insônia se baseie na percepção individual subjetiva.

Sono não reparador: má qualidade do sono pela qual o indivíduo se sente cansado ao levantar-se a despeito do tempo adequado de duração do sono. Geralmente é uma queixa comum relacionada ao sono que ocorre em associação com a dificuldade em conciliar ou manter o sono.

 

Considerações clínicas

Além dos critérios de frequência e duração necessários para se estabelecer o diagnóstico, outros adicionais são úteis para quantificar a gravidade da insônia.

Embora não exista nenhuma definição-padrão para despertar antes do horário habitual, esse sintoma envolve acordar pelo menos 30 minutos antes do horário programado e antes de o tempo total de sono atingir 6 horas e meia.
É essencial levar em consideração não apenas o tempo final para despertar como também o horário de dormir na noite anterior.
Despertar às 4 horas não tem o mesmo significado clínico para as pessoas que vão deitar às 21 horas em comparação com aquelas que se recolhem ao leito às 23 horas. Esse sintoma pode refletir também uma redução na capacidade de manter o sono relacionada à idade ou uma mudança associada à idade em relação ao tempo de duração do período principal de sono.

O transtorno de insônia envolve prejuízos estruturais ou funcionais durante o dia, assim como dificuldades para conciliar o sono durante a noite. Isso inclui fadiga ou, menos frequentemente, sonolência diurna (mais comum entre pessoas mais velhas e quando a insônia é comórbida com outra condição médica – como a dor crônica).

Os prejuízos no desempenho cognitivo podem incluir dificuldades com atenção, concentração e memória. Mesmo na execução de habilidades manuais mais simples, por exemplo.
Geralmente, as perturbações associadas ao humor são descritas como irritabilidade ou labilidade do humor. Menos frequentemente, sintomas depressivos ou ansiosos.

 

Prevalência

Em relação à prevalência, as estimativas indicam que cerca de um terço dos adultos relata sintomas de insônia, com 10 a 15% das pessoas referindo prejuízos diurnos associados. No entanto, 6 a 10% apresentam sintomas que atendem aos critérios formais do transtorno de insônia, e é importante lembrar que a insônia é observada com maior frequência como uma condição associada a outra desordem médica. Por exemplo, 40 a 50% das pessoas que sofrem com insônia apresentam também um transtorno mental comórbido.

É importante mencionar que nem todas as pessoas com perturbações noturnas no sono apresentam algum desconforto ou prejuízos funcionais. Por exemplo, não é incomum que a continuidade do sono seja interrompida em adultos mais velhos saudáveis que, mesmo assim, identificam a si próprios como pessoas que dormem bem.
Por isso, o diagnóstico de transtorno de insônia deve ser reservado para aqueles indivíduos que apresentam sofrimento ou prejuízos estruturais/funcionais durante o dia que se relacionam com a dificuldade de conciliar o sono à noite.

Por fim, as queixas de insônia são mais comuns entre mulheres do que homens, numa proporção de 1,44 para 1.

 

Dr. Helio Fádel
Psiquiatra Clínico e do Esporte