Saúde mental em jogadores de futebol durante pandemia

Covid-19: Futebolistas sofrem mais ansiedade e depressão, revela estudo da FIFPro

Os jogadores e jogadoras de futebol têm revelado crescentes sintomas em saúde mental desde a interrupção das competições devido à pandemia da covid-19. Entretanto, retomar as atividades sem segurança será ainda pior, afirma a Federação Internacional dos Jogadores Profissionais de Futebol (FIFPro).

Para o organismo, isso se traduz em perda do interesse, alteração do apetite, pouca energia, baixa autoestima e sono não reparador. O desafio é que, apesar desse cenário, a preocupação com a saúde mental dos jogadores não é o único fator determinante para se voltar ou não às atividades. Estamos falando de uma pandemia que parou o mundo todo.

 

Dados do estudo FIFPro sobre saúde mental em jogadores

Esse estudo recente foi conduzido entre 22 de março e 14 de abril e reuniu 1.602 atletas – 1.134 homens com média etária de 26 anos e 468 mulheres com média de 23 anos. As conclusões apontam “22% dos jogadores e 13% de jogadoras relatando sintomas compatíveis com o diagnóstico de depressão” (não necessariamente um transtorno depressivo). Em paralelo, foi verificado um estado de “ansiedade generalizada” em 18% dos homens e 16% das mulheres (também sem representar um transtorno franco diagnosticado).

Em Portugal, o Sindicato dos Jogadores de futebol criou uma linha de apoio, através de número telefônico, para quem sente “ansiedade, medo ou angústia devido ao isolamento social”.

 

Interpretação dos achados

Parecem dados surpreendentes? Não. Se analisarmos, os atletas de futebol vivem uma rotina altamente demandante e exaustiva do ponto de vista energético. Entretanto, encontram no futebol, um recurso extremamente valioso para dissipar o excesso de energia, obter prazer e relaxamento, além de poderem socializar com os demais companheiros.

Não esperar que haja um aumento dos níveis de ansiedade, uma vez que o dia-a-dia propício para esses atletas poderem canalizá-la está inacessível (esporte/atividades físicas são grandes aliados para quadros depressivos e ansiosos) é um engano. Ademais, a personalidade de muitos esportistas de elite sugere que não são “de ficar parados”. Ou seja, são “acelerados” ou inquietos por natureza. Se você tira dessa população o meio que lhes é favorável, certamente surgirão (ou se acentuarão) distúrbios do sono, apetite e do humor.

O próprio corpo dessas pessoas já possui tendência à liberação de substâncias mais elevada em relação a não-atletas – em virtude de vivenciarem o esporte diariamente. Neurotransmissores, como endorfina, serotonina e dopamina são liberados no organismo durante a prática de atividades físicas. Imagina como essa liberação se intensifica ao longo de meses e anos para atletas de futebol? E são substância diretamente ligadas à sensação de prazer, plenitude e bem-estar, redução dos níveis de ansiedade e qualidade do sono.

 

Mas e então, o que poderia ser feito pela saúde mental em jogadores?

Lidar com saúde mental é sempre um desafio. No esporte de alto rendimento (sobretudo o futebol, que chama muito a atenção) é mais difícil ainda. As resistências por parte dos gestores e até mesmo dos próprios atletas limitam muito a ação de psicólogos/psiquiatras no esporte.

Medidas como essa em Portugal são interessantes, pois criam canal direto, de fácil acesso e sigiloso entre atleta e psicólogo/psiquiatra. Entretanto, os jogadores não se abrem facilmente com pessoas externas à agremiação. É necessária toda uma construção de um vínculo terapêutico para estabelecer a confiança entre o atleta e o profissional da saúde mental.

Assim, o modelo ideal é que os clubes tenham seus próprios psicólogos e psiquiatras do esporte incorporados no staff. Ou seja, sem a necessidade de terceirizar tais serviços – uma vez que esse modelo, comprovadamente, apresenta inúmeras limitações. Se o jogador conhece o profissional e vice-versa, o processo será muito mais natural e o prognóstico muito mais favorável.

Assista aqui ao vídeo da análise feita pelo Dr. Helio Fádel sobre o estudo!

 

Covid-19 no Mundo

Conforme levantamentos, a pandemia já provocou mais de 165mil mortos e infetou quase 2,5milhões de pessoas em 193 países. Mais de 537 mil doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 735 pessoas das 20.863 registadas como infetadas, de acordo com a Direção-Geral da Saúde. Vale lembrar que a doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de dezembro em Wuhan, cidade chinesa.

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população mundial). Também encerraram o comércio não essencial e reduziram drasticamente o tráfego aéreo, paralisando setores inteiros da economia mundial.

 

Mais informações sobre o estudo realizado pelo FIFPro

Para saber mais dados sobre esse levantamento da saúde mental dos atletas de futebol, clique na imagem abaixo (matéria-base para a elaboração desse conteúdo)!

fifpro - Saúde mental em jogadores de futebol durante pandemiaLeia mais sobre saúde mental dos jogadores e jogadoras de futebol profissional durante a pandemia do Covid-19.

Dr. Helio Fádel
Psiquiatra Clínico e do Esporte