Estresse no esporte: como reconhecer e controlar seus efeitos

Ser atleta não é só curtir a fama e a glória de ser querido pelos fãs. Na verdade, a grande maioria dos esportistas luta para obter recursos e reconhecimento em cima de um trabalho ainda pouco valorizado (e compreendido) em sua totalidade. Mas essa luta, quando em excesso, pode ser prejudicial à saúde e ao desempenho do esportista, incorrendo em sintomas ou doenças indesejadas. Entre elas, uma chama nossa atenção: o estresse no esporte.

Nos bastidores, os atletas vivem uma rotina intensa de treinamentos, lesões, dificuldades de obter patrocínio, viagens constantes e desgastantes, pressão por resultados positivos, falta de privacidade e distanciamento familiar, além de incertezas quanto ao futuro. Essas são algumas das principais dificuldades que fazem parte da vida dos esportistas e podem ser caracterizadas como fatores estressantes.

1 - Estresse no esporte: como reconhecer e controlar seus efeitosSabemos que o alto rendimento impõe a necessidade de conquistar bons resultados a todo o momento. E, dependendo do nível de cobrança e da própria preparação individual de cada atleta, essa intensidade desafiadora pode levar ao acúmulo excessivo de estresse. As consequências desse alto nível de estresse interferem negativamente no desempenho esportivo, na saúde mental do esportista e, consequentemente, na qualidade de vida.

Por isso, é fundamental que o atleta saiba quais são os gatilhos que induzem o estresse no esporte. Com isso, poderão perceber o seu surgimento o quanto antes e, assim, ser capaz de controlá-lo rapidamente.

Cada pessoa possui um universo dentro de si. E dentro desse universo, existem particularidades que devem ser respeitadas. Isso também significa que cada indivíduo possui um mecanismo próprio de interpretação em relação aos fatores que lhe são estressores. Ou seja, o que pode parecer simples para você, pode ser complicado para outro – e vice-versa.

Portanto, o autoconhecimento é o primeiro passo para os atletas recuperarem sua autoestima o mais rápido possível e, assim, impedirem a queda da performance.

Quem pode ajudar os atletas a controlar o estresse no esporte?

Psiquiatras e psicólogos do esporte são os profissionais especializados em saúde mental e idealmente capacitados para cuidar dos aspectos mentais dos atletas e demais pessoas que trabalham inseridas no meio esportivo. São profissionais que contam com todos os recursos técnicos necessários para entender, formular e propor alternativas assertivas para as situações adversas do cotidiano. Assim, os atletas irão se beneficiar dessa assistência especializada para ajudá-lo. Isso inclui a identificação e manejo de aspectos mal elaborados e nocivos para si, sua equipe e familiares.

Muito tem se falado em Coaching – processo de curto a médio-prazo onde a pessoa visa determinado objetivo e se propõe a ser guiada pelo coach para alcançá-lo. Os objetivos variam, sendo os mais comuns voltados para os âmbitos de desenvolvimento pessoal, familiar, de relacionamentos, esportivo, empresarial etc. Entretanto, deve ser ressaltado que Coaching não se trata de abordagem em saúde mental, visto que profissionais coaches não possuem formação técnica para trabalharem tais fundamentos.

O livro “Psiquiatria do Esporte: Estratégias para qualidade de vida e desempenho máximo” sugere 12 dicas de técnicas para controlar o estresse, desde a prevenção. Quando bem incorporadas e aplicadas, elas poderão evitar o desenvolvimento dos sintomas e o desempenho esportivo estará preservado.

12 Técnicas apresentadas pela Psiquiatria Esportiva para o Estresse

1) Reconheça os fatores desencadeadores do estresse no esporte;

2) Perceba rapidamente os sintomas iniciais no seu corpo;

3) Ative seu sistema de relaxamento;

4) Pense positivamente, mantenha-se calmo e confiante;

5) Tenha uma rede de apoio com familiares, amigos e equipe técnica;

6) Faça pausas regulares das demandas esportivas;

7) Otimize o gerenciamento do seu tempo;

8) Mantenha-se devidamente informado e ignore os boatos de cunho negativo;

9) Considere uma abertura espiritual ou religiosa;

10) Evite estimulantes, sedativos ou outras substâncias prejudiciais;

11) Procure se divertir nos treinamentos (e competições) e pratique um hobby;

12) Promova rotinas positivas, valorize os bons momentos e planeje coisas boas.

Essas técnicas (mais bem explicadas no Capítulo 3, do livro) se tornam ainda mais eficazes se incorporadas na rotina diária. Por mais que pareçam medidas simples, nem sempre o indivíduo consegue praticá-las com assertividade. Isso reitera a importância do acompanhamento supervisionado, seja pelo psicólogo ou psiquiatra do esporte. Por fim, procure aplicar tais dicas no seu dia-a-dia e não deixe de procurar uma orientação especializada. Seja em virtude de algum tipo de sofrimento ou para otimizar sua performance e qualidade de vida!

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