Depressão

Considerada pela Organização Mundial de Saúde como “o mal do século XXI”, a depressão é uma doença silenciosa, muitas vezes ainda incompreendida – inclusive por quem sofre do problema.

Infelizmente, os Transtornos Depressivos como um todo, são um grupo de condições médicas que ainda envolvem muito preconceito por parte da população. Isso dificulta todo o processo de diagnóstico precoce, aceitação (vergonha em admitir um problema e não procurar o médico, achando que “vai passar”), adesão ao tratamento proposto e até compromete o restabelecimento pleno do indivíduo acometido.

O impacto mais grave relacionado à depressão são as altas taxas de suicídio, que o colocou entre as 20 maiores causas de morte em 2015.

 

Prevalência

Dados da própria OMS indicam o crescimento da prevalência de depressão no mundo.
De acordo com levantamentos recentes, a doença afeta 4,4% da população mundial (322 milhões de pessoas) e 5,8% dos brasileiros (11,5 milhões de pessoas).
Dentro da América Latina, o Brasil é o país com maior prevalência de depressão, sendo o segundo com maior prevalência nas Américas, ficando atrás somente dos Estados Unidos (5,9% da população estadunidense).
Os transtornos depressivos tendem a surgir no início da idade adulta (18 a 29 anos) e acometem mais as mulheres do que os homens.
Também é bastante comum a coexistência de Transtornos de Ansiedade para pessoas que sofrem com transtornos depressivos.

 

Características diagnósticas

De uma forma geral, sintomas depressivos incluem persistência de humor deprimido, perda de interesse ou vontade por atividades previamente prazerosas, diminuição da libido, choros frequentes, perda ou ganho de peso em pouco tempo sem dieta associada, redução ou aumento do apetite, insônia ou hipersonia, agitação ou retardo psicomotor, fadiga ou perda de energia, sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada, capacidade diminuída para pensar ou se concentrar, indecisão e pensamentos acerca de morte. Para indivíduos mais jovens, a depressão também pode estar associada a quadros de irritabilidade e evitação social.

O Transtorno Depressivo Maior (TDM) representa a condição clássica desse grupo de transtornos.
Não é incomum que o TDM seja uma patologia médica secundária. Isso é passível de ocorrer, por exemplo, no hipotireoidismo (pela desregulação dos hormônios da tireoide, capaz de gerar alterações do humor). Outra possibilidade ocorre na fibromialgia (o humor deprimido seria consequência das interferências da dor e outros sintomas da vida cotidiana).
Toda a possível relação entre a depressão e diversas outras condições clínicas deve ser atentada pelo médico assistente, para investigar uma eventual patologia de base por trás de um quadro depressivo.
A solicitação de exames laboratoriais por parte do médico pode ser essencial para elucidação diagnóstica.

 

Principais tipos de Transtornos Depressivos

– Transtorno Disruptivo da Desregulação do Humor
– Transtorno Depressivo Maior
– Transtorno Depressivo Persistente (Distimia)
– Transtorno Disfórico Pré-menstrual

 

Leia ainda sobre:

– Diferenças entre tristeza, luto e depressão
– Principais abordagens dos transtornos depressivos

 

Psicofobia é crime!

Inúmeras campanhas buscam eliminar o preconceito em relação às condições mentais, como a depressão.
Esse preconceito é o que chamamos de Psicofobia, e é crime.

Infelizmente, todo e qualquer tipo de discriminação prejudica não apenas a pessoa em sofrimento, mas toda a população.
Um grande exemplo é o estigma em relação à Eletroconvulsoterapia (ECT).
Sua má divulgação, inclusive pelas mídias sociais, promove um preconceito desnecessário e entendimento errôneo por parte das pessoas. Isto é, acreditam que a ECT é feita como caráter punitivo, com o paciente acordado, sentido dor. O que não é verdade.
Trata-se de um método biológico simples, extremamente eficaz e seguro. A ECT é realizada em sessões, sob anestesia, em ambiente apropriado para o procedimento, na presença de um psiquiatra, anestesista e enfermeiro.
Tão simples, que o paciente irá para casa no mesmo dia, caso não estiver em regime de internação.
É indicada para quadros de depressão refratária ao tratamento, esquizofrenia, transtorno bipolar, dentre outros.

Lutemos por uma sociedade livre do estigma em relação às doenças mentais!

Clique aqui para assistir à Campanha da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) de 2018 sobre a Psicofobia.

 

Dr. Helio Fádel
Psiquiatra Clínico e do Esporte