Dependência Química

Introdução à Dependência Química

Os transtornos relacionados à Dependência Química abrangem 10 classes distintas de drogas:

– Álcool;
– Cafeína;
Cannabis;
– Alucinógenos;
– Inalantes;
– Opioides;
– Sedativos, hipnóticos e ansiolíticos;
– Estimulantes (substâncias tipo anfetamina, cocaína e outros estimulantes);
– Tabaco;
– Outras substâncias (ou substâncias desconhecidas).

Todas as drogas que são consumidas em excesso e são passíveis de levar à dependência química têm em comum a ativação direta do sistema de recompensa do cérebro – envolvido no reforço de comportamentos e na produção de memórias.

A ativação do sistema de recompensa é intensa a ponto de fazer atividades normais serem negligenciadas. Em vez de atingir a ativação do sistema de recompensa por meio de comportamentos adaptativos, as drogas de abuso ativam diretamente as vias de recompensa.

Os mecanismos farmacológicos pelos quais cada classe de drogas produz recompensa são diferentes. Entretanto, elas geralmente ativam o sistema e produzem sensações de prazer, frequentemente denominadas de “barato” ou “viagem”.

Além disso, indivíduos com baixo nível de autocontrole podem ser particularmente predispostos a desenvolver transtornos por uso de substância.

Assim, para determinadas pessoas, a origem dos transtornos por uso de substância pode ser observada em seus comportamentos antes do início do uso atual da substância.

A dependência por jogos (transtorno do jogo) também evidencia comportamentos ativadores dos sistemas de recompensa. De tal maneira, sua clínica pode ser entendida como semelhante à dependência por drogas de abuso. Isso se justifica, pois os sintomas comportamentais são altamente comparáveis aos produzidos pelos transtornos por uso de substância.

Por fim, outros padrões comportamentais excessivos, como jogo pela internet também foram descritos. A própria OMS reconheceu o vício em videogame como transtorno mental, no ano de 2018.

 

Características e critérios clínicos de dependência química

A característica essencial de um transtorno por uso de substâncias consiste na presença de um agrupamento de sintomas cognitivos, comportamentais e fisiológicos indicando o uso contínuo pelo indivíduo apesar de problemas significativos relacionados à substância.

Uma característica importante dos transtornos por uso de substâncias é uma alteração básica nos circuitos cerebrais que pode persistir após a desintoxicação, especialmente em indivíduos com transtornos graves. Os efeitos comportamentais dessas alterações cerebrais podem ser exibidos nas recaídas constantes e na fissura intensa por drogas – quando os indivíduos são expostos a estímulos relacionados a elas. Uma abordagem de longo prazo pode ser vantajosa para o tratamento desses efeitos persistentes da droga.

De modo geral, o diagnóstico de um transtorno por uso de substância baseia-se em um padrão patológico de comportamentos relacionados ao seu uso.

Sobre o diagnóstico

O baixo controle sobre o uso da substância é o primeiro grupo de critérios. O indivíduo pode consumir a substância em quantidades maiores ou ao longo de um período maior de tempo do que pretendido originalmente.

Ele também pode expressar um desejo persistente de reduzir ou regular o uso da substância e pode relatar vários esforços malsucedidos para diminuir ou descontinuar o uso.

O indivíduo pode gastar muito tempo para obter a substância, usá-la ou recuperar-se de seus efeitos. Em alguns casos, praticamente todas as atividades diárias do indivíduo giram em torno da substância.

A fissura se manifesta por meio do desejo/necessidade intensos de usar a droga que podem ocorrer a qualquer momento.

O prejuízo social também constitui um importante critério a ser considerado. Assim, o uso recorrente de substâncias pode resultar no fracasso em cumprir as principais obrigações no trabalho, na escola ou no lar.

Colocar-se em situações de risco (integridade física) para obter e usar a substância é outro ponto relevante na dependência química.

A tolerância é sinalizada quando uma dose acentuadamente maior da substância é necessária para obter o efeito desejado. Também pode ser entendida quando um efeito acentuadamente reduzido é obtido após o consumo da dose habitual. O grau de desenvolvimento da tolerância varia entre indivíduos, assim como de uma substância para outra.

Abstinência é uma síndrome que ocorre quando concentrações de uma substância diminuem no indivíduo que manteve uso intenso prolongado. Após desenvolver sintomas de abstinência, o indivíduo tende a consumir a substância para aliviá-los. Os sintomas de abstinência apresentam grande variação de uma classe de substâncias para outra, e conjuntos distintos de critérios para abstinência são fornecidos para as classes de drogas.

Não são necessárias tolerância nem abstinência para um diagnóstico de transtorno por uso de substância. Contudo, na maioria das classes de substâncias, história prévia de abstinência está associada a um curso clínico mais grave.

 

Principal referência bibliográfica:

Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM 5
American Psychiatric Association