Déficit de Atenção/Hiperatividade

Características diagnósticas da Hiperatividade

A característica essencial do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade é um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interfere no funcionamento ou no desenvolvimento.

A desatenção manifesta-se comportamentalmente no TDAH como divagação em tarefas, falta de persistência, dificuldade de manter o foco e desorganização. Além disso, não constitui consequência de desafio ou falta de compreensão.

A hiperatividade refere-se a atividade motora excessiva quando não apropriado, remexer, batucar ou conversar em excesso. Nos adultos, a hiperatividade pode se manifestar como inquietude extrema ou esgotamento dos outros com sua atividade.

A impulsividade refere-se a ações precipitadas que ocorrem no momento, sem premeditação. O elevado potencial de dano à pessoa também é marcante (p. ex., atravessar uma rua sem olhar). A impulsividade pode ser reflexo de um desejo de recompensas imediatas ou de incapacidade de postergar a gratificação. Comportamentos impulsivos se manifestam com intromissão social e/ou tomada de decisões importantes sem considerações acerca das consequências a longo prazo.

O TDAH começa na infância. Ao mesmo tempo, uma idade de início mais precoce não é especificada devido a dificuldades para se estabelecer retrospectivamente um início na infância. As lembranças dos adultos sobre sintomas na infância tendem a não ser confiáveis, sendo benéfico obter informações complementares.

Manifestações do transtorno devem estar presentes em mais de um ambiente (p. ex., em casa e na escola, no trabalho). A confirmação de sintomas substanciais em vários ambientes não costuma ser feita com precisão sem uma consulta a informantes que tenham visto o indivíduo em tais ambientes. É comum os sintomas variarem conforme o contexto em um determinado local.

Sinais do transtorno podem ser mínimos ou ausentes quando a pessoa está recebendo recompensas frequentes por comportamento apropriado, está sob supervisão, está em uma situação nova ou envolvido em atividades especialmente interessantes, recebe estímulos externos consistentes (p. ex., através de telas eletrônicas) ou está interagindo em situações individualizadas (p. ex., em um consultório).

 

Prevalência e desenvolvimento

Levantamentos populacionais sugerem que o TDAH ocorre na maioria das culturas em cerca de 5% das crianças e 2,5% dos adultos.

Muitos pais observam, pela primeira vez, uma atividade motora excessiva quando a criança começa a andar. No entanto, é difícil distinguir os sintomas do comportamento normal – altamente variável antes dos 4 anos de idade.

O TDAH costuma ser identificado mais frequentemente durante o ensino fundamental (desatenção mais saliente e prejudicial). O transtorno fica relativamente estável nos anos iniciais da adolescência. Contudo, alguns indivíduos têm piora ao decorrer da condição, desenvolvendo comportamentos antissociais.

Na maioria das pessoas com TDAH, sintomas de hiperatividade motora ficam menos claros na adolescência e na vida adulta. Apesar disso, podem persistir dificuldades com planejamento, inquietude, desatenção e impulsividade.

A proporção de crianças com TDAH que permanece relativamente prejudicada até a vida adulta é bastante considerável. Entretanto, a apresentação clínica tende a se modificar com o passar do tempo.

Assim, na pré-escola, a principal manifestação é a hiperatividade. A desatenção fica mais proeminente nos anos do ensino fundamental. Na adolescência, sinais de hiperatividade (correr e subir nas coisas) são menos comuns, podendo limitar-se a sensação interna de nervosismo, inquietude ou impaciência. Por fim, na vida adulta, além da desatenção e da inquietude, a impulsividade pode permanecer problemática, mesmo quando ocorreu redução da hiperatividade.

 

Confira aqui os critérios diagnósticos para TDAH de acordo com o DSM-5

 

Dr. Helio Fádel
Psiquiatra Clínico e do Esporte